domingo, 23 de novembro de 2014

Amenidades de Qualquer Amor

É domingo. Lá fora chuva. Nós.

Enquanto ele cozinha eu ajudo com os temperos, porque não sei cozinhar, mas ele gosta. E tem pose de chef quando fala e um sorriso de covinhas enquanto imagina o prato, que me faz sorrir também.

Ao fundo tem sempre música. Tem também o nosso bom papo e o vinho que permeia todo processo.
Almoço de domingo. Almoço bom!

O cheiro dele, o cheiro de refogado e o beijo que é doce e suave como esses dias de querer bem e como esses domingos de estar com quem se gosta.

A gente coloca a mesa junto, saboreia junto e o que acontece é carinho, parceria e troca. Que troca!

Depois disso tudo gosto de deitar no peito dele e sentir sua respiração e ouvir suas histórias e ganhar seus beijos.

É leve o bem me quer, é cheio de nossas peculiaridades, é dentro de uma bolha, é só dele e meu.

As gotinhas caindo lá fora são um convite pra ouvir e sentir, só sentir esse dia, que podia ser qualquer dia, mas é domingo.

Amanhã é segunda e se hoje nada disso aconteceu foi só por preguiça do tempo ou porque quem escreveu adora inventar historinhas.

Moça boba! Como escreve!

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

É de quem te quer bem!

Pensa que é fácil abrir mão? Abrir mão é de doer. Mas ela o fez, por algum tempo.Tempo suficiente pra encher a cabeça de incertezas, de nostalgia pelo que ficou pra trás e ficar totalmente aturdida por não conseguir abandonar o que vinha pela frente.
Essa moça! Ai, ai..Desde que a conheço vive cercada de dúvidas, numa dificuldade incrível de largar uma coisa pra pegar outra. Quer agarrar com mãos, entrelaçar nas pernas, prender bem firme entre os dedos o mundo.
E como sofre! Sem ser pra tanto!
Aprenda, moça! Esse ciclo não tem fim! Está sempre entre escolher e abdicar...a vida inteira.
Queria poder te ajudar mais, te fazer assentar esse turbilhão que passa na tua cabeça, dar um sossego pra esse teu coração que vez por outra sai do compasso, atropela o andamento, por conta desse teu sobressaltado jeito de ser.
Te aquieta! Respira!
Num tempo que é outro, não esse que você vive, as coisas caminham e tomam seus lugares sem afobamento e se ajeitam, se reorganizam e se encontram. Mas da próxima vez, se puder, toma uma canja de galinha pra afastar a ansiedade e dá atenção devida pras decisões.Talvez com toda certeza do teu coração, doa menos deixar algo pra trás ou alguém...
São apenas conselhos de quem melhor te quer na vida...conselhos de quem te vê de perto, exatamente como és e te conhece, ou pelo menos tenta, ou pensa que te sabe bem.
Segue a estrada que tomaste pra ti como certa, respeita a tua escolha e dê somente a importância adequada ao que passou, nem mais, nem menos.
Espera um minuto! Sempre dá tempo de tentar corrigir uma decisão equivocada. Se for esse o caso, faz tua parte e te prepara pro que vem de consequência. Cresce, moça!
E se der uma vontade de fazer como em outros tempos, aqueles de se jogar no chão e chorar e chorar, lembra que nunca deu jeito. Te coloca no prumo e banca! Segue o trem!
No mais é perceber que  não é tudo ou nada, que decidir acertadamente é um cálculo de possibilidades e não de certezas porque a vida é uma sucessão de eventos inesperados; é se entender, não se deixar cegar pela pressa, pelo imediato, pelo que vale a pena hoje...
Acho que com tudo que te escrevi já vamos ter algum caminho pra seguir. Espero que você leia, que se tiver dúvida me consulte. Ah! Mas tem uma coisa, a gente só vai se entender se você puder se calar pra me escutar.

Atenciosamente,

Você.



sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Apartheid

Aqui está ela e lá está ele.
Onde havia um ar terno e de afeto mora agora qualquer coisa feita de saudade
Não há mais os dois, nem os cheiros, nem os gestos, nem as taças vazias e depois um emaranhado de lençóis.

Aqui está ela e lá, sabe se aonde é lá, está ele.
Talvez ambos assoviem a mesma música, talvez remoam as últimas palavras ditas e aquelas outras que os olhos marejados não deixaram dizer.
Quem sabe um dos dois já se sinta melhor, aliviado.
Quem sabe nenhum...

Aqui está ela, possivelmente tentando convencer a si mesma de que não tinha escolha, de que o caminho sempre foi esse, de um futuro feito de fim.
Aonde ele está pode ser que esteja também o arrependimento por ter vivido essa história, por ter prolongado, por não ter sido casual...
E pode ser que estejam os dois questionando a vida, os céus, Deus, pelo desencontro.

Lá onde ele vive, deve ser calmaria.
Dentro dela é sempre turbilhão.
Lá onde ele vive não deve ser de queimar.
Com ela é sempre quente.
La onde ele vive é seguro, é dele.
Com ela tudo é dúvida, desconhecido.
E é lá que ele finca os pés, longe dela.

Aqui onde ela está, tudo é novo.
Ele é uma descoberta.
Aqui onde ela está tudo é feito de palavras.
Com ele, vira música.
Aqui onde ela está é pra ontem, é pra já.
Com ele tudo tem três tempos, tem estágios.
E é aqui, longe dele, que ela está.

Não há mais os dois, nem os cheiros, nem os gestos, nem as taças vazias e depois um emaranhado de lençóis.
Onde havia um ar terno e de afeto mora agora qualquer coisa feita de saudade.
Aqui está ela e lá está ele.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Do desequilíbrio.

Equilíbrio é palavra de lei. Remete a meios termos, equações perfeitas. Sou toda extremos.
Não sei ser nada pela metade. Nem meio boba, nem meio chata e nunca quero qualquer coisa só um pouquinho. Quero com toda a minha energia, quero de verdade.
Não sei gostar pela metade de "algos" e "alguéns". Nem sei sorrir entre dentes ou meio de lado, beijar sem colar bem os lábios, abraçar sem ser apertado e fazer aquele laço.
Quero somar. Odeio metades.
Aceito meu desequilíbrio e tenho apego a ele. Me leva sempre a uma ponta do pêndulo das minhas emoções.
Que vida chata essa de respirar afobado e não sentir o ar encher o pulmão bem grandão, de ter asas e alçar meio voo, de entrelinhas. Não quero pra mim.
Meio feliz, meio triste, um trabalho meio legal, um amor unilateral e uma vida inteira baseada em ser assim, assim. Nem pensar.
Que seja seu ou meu, que seja por inteiro, que seja feito só de verdades e plenitudes.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Da Arte do Encontro!

Era pra ser um encontro daqueles! Daqueles de agradecer ao universo por ter conspirado a favor, daqueles de tirar o ar, de sentir na pele, de trazer música aos ouvidos.
E seria, seria mesmo. Não fossem outros compromissos. Porque ninguém te avisa em qual esquina, nem quando vai ser. Não há sinais. Há só a vida acontecendo todo dia e esse infinito de possibilidades se abrindo.
Podia até ser qualquer coisa de pele, só de sentidos. E também era. Era qualquer coisa de remexer a gente por dentro e por fora. Qualquer coisa de dar frio na barriga e calor no coração.
Sim, era um encontro marcado, onde talvez alguém tenha chegado atrasado. Ou adiantado. Onde alguém talvez tenha esquecido de dar o primeiro passo. Ou deu o primeiro passo errado.
Era pra ser um encontro daqueles! Ninguém duvide que era pra ser! Dos melhores e dos mais inusitados. Dos beijos furtivos e dos olhares trocados. Dos sabores, dos cheiros.
Era pra ser um encontro daqueles!!!

sábado, 23 de novembro de 2013

Sonhos são...

Viver de sonhos. De sonhos que não se realizam nem quando se está dormindo. Qual não é a angústia!
De acordo com Freud os sonhos são, geralmente, a realização de um desejo, são a nossa cabeça se utilizando da carga emocional que temos, utilizando de símbolos para revirar a gente do avesso pra fora
. É assim que me sinto quando acordo com a nítida sensação de ter tido ali naquela noite, com a cabeça no travesseiro, uma apresentação ilustrada das questões que pairam sobre a mente, que apertam o coração. Acordo com as emoções à flor de pele, com o coração na mão, ou na boca, sei lá.
Me questiono se dá pra saber sonhar, se existe a possibilidade de burlar a psique, de não permitir que as frustrações também alcancem o mundo onírico, para que o produto das imagens e sons que armazenamos seja inspirador. Talvez hoje não fosse um bom dia pra escrever. Sentimentos embaralhados. Uma vontade de fuga. Um discurso deprê. Tem dias que parecem noite.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Tá leve?

Livros podem abrir portas para "mundos" desconhecidos, te fazer pesquisar novos idiomas, despertar interesse por outros escritores, assuntos e, também podem fundir sua cabeça em ideias e ideias e conjecturas que não acabam mais. A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera, é do tipo que te faz avaliar posturas e calcular o peso que tem a leveza da vida e vice-versa. Viagem garantida.
A obra cujo enredo se desenvolve nas experiências de Tomas, Teresa, Sabina e Franz, leva o leitor a questionar seus comprometimentos, compromissos e sutilezas. Desde os primeiros capítulos, onde se estabelecem paradoxos entre a leveza e o peso da existência humana começam a despertar milhões de questões latentes na cabeça de qualquer pessoa minimamente pensante.
São dilemas perfeitamente cabíveis na vida prática - a ligação de responsabilidade que existe entre um casal, traição, a banalização dessa traição, uma vida sem muitas questões, sem vínculos sólidos - e por aí vai. A mim, me fez pensar muitas coisas e creio, que o objetivo seja esse mesmo, o de ilustrar e trazer à tona as questões e contradições do ser humano, a fragilidade de algumas certezas. Não é à toa que esse livro está lá, na cabeceira da cama, não pela beleza da história, mas pelo que me leva a refletir.
A insustentável leveza já é uma afirmação contraditória, visto que, teoricamente, apenas as coisas que pesam podem ser difíceis de sustentar, as leves não implicam em grandes esforços. Lêdo engano! Em se tratando de vida, o peso seria uma razão, um motivo para que se continue lutando a cada dia; a leveza seria a banalidade da existência, a falta de objetivo, de mola propulsora.
Tomando essa equação como verdade absoluta, conclui-se que nada pode ser fácil. Que essa vida sem comprometimentos que a gente fica pleiteando não seria produtiva ou benéfica. São os fardos que dão sentido à existência humana, desde o mais trivial, que é a batalha pela pão de cada dia (seu e às vezes dos outros) às outras tantas demandas.
Faz-se necessário porém salientar que ter algo que pese, ou seja, tenha relevância na sua vida não implica em ter sofrimentos, feridas abertas na carne, te lembrando o tempo todo da dor, mas sim uma razão suficientemente forte para encher os pulmões de ar e levantar todos os dias de manhã. É preciso coragem para não sucumbir à superficialidade. E mais coragem ainda para pegar suas fragilidades, questões, objetivos e fardos, colocar numa sacola e seguir a trajetória vida afora. Essa leveza que se sonha ainda não é desse mundo, mas quem sabe um dia...

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